quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Considerações de um dia de chuva ....



Tomoki Ayasaka


Não sei o que é nascer. Apenas nasci. 
Não sei o que é a fama e a fortuna. Cresci na areia. Vi a força para se viver bem. Haver dignidade. 
Sei o que é crescer. Dói. Não sei o que é ser crescida. 
Sei o que é a dor, no corpo, no que alberga o corpo. Não sei o que é não saber o suplicio. 
Amei. Sei o que é ser amada. Sei também que há sempre um fim. Errei em muitas partes nesse rio. Ai afundei-me num gigante profundo sem perdão.
Ri e fiz rir. Sei o quanto chorei . As vezes em que o espelho foi duro na verdade cruel lançada aos meus olhos. 
Vi morrer. Sei que também hei-de morrer. Não sei se chegarei a velha. Sei que hoje ainda aqui estou. Sei que ainda me deixam estar aqui. Entre demónios e tormentos. Escuro como breu, neste véu que me tapa. 
Quase morri, ou talvez tenha mesmo morrido e regressado. Faltam-me abraços e mimos. 
Falta-me o silencio que ama. Falta e tenho tanto. Não posso é refazer o passado. Não me posso regressar. Vivo. E nem isso sei, se viver a vida é assim. 
Faz-me falta quem me foi. Falto-me eu






2 comentários:

  1. Nunca percebi porque é que para crescer é necessário doer, nem porque é que é necessário mas não é suficiente...
    Todos erramos, e talvez seja a forma com que lidamos com os erros que nos define.
    Há uma (suposta) citação do Churchil de que gosto de me lembrar em dias de tempestade: "Success consists of going from failure to failure without loss of enthusiasm". :)
    Talvez o pior erro que se pode fazer é ter medo de cometer um. Se tudo se resume a isso, não sei, porque também tenho (os meus) medo(s).
    Keep calm and carry on. A vida segue dentro de momentos... :)


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  2. Os meses de Chuva são escassos... o Sol continua lá em cima, ávido por nos aquecer naqueles raios fulgurantes.

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