terça-feira, 19 de março de 2013
Em suspenso
Há alturas na vida em que parece que tudo está suspenso...
Estão suspensos os sentimentos, estão suspensos os pensamentos. Agora pensa-se numa coisa, dai a pouco já é outra totalmente diferente. O que fazer? Pois não sei. Com esta idade já tinha obrigação de ter aprendido alguma coisa, mas parece que não. A vida vai tentando ensinar-me e eu, cabeça dura, não há forma de aprender
E eis que me vejo numa situação de suspensão (não de cordas!!!) mas suspensão de vida. Sei que preciso parar, pensar, reavaliar, tomar decisões, seguir em frente. Pois, pois tudo isto é muito bonito de dizer e de escrever mas passar do papel para a realidade, é que é um bico de obra
Por agora sinto-me perdida, completamente perdida. Não sei como vou viver, como vou respirar sem o apoio do meu Daddy, não sei mesmo. O certo é que ainda não morri de falta de ar... mas viver, ah viver tem sido muito dificil. Dediquei mais de 1 ano da minha vida a alguém. Alguém que eu admirava (e ainda admiro). Como é que faço sem ele?
Um dia atrás do outro, vai ajudar. Eu sei que vai. Aos poucos hei-de libertar-me desta angustia tão presente e tão doída. Tenho que voltar a sair com outras pessoas e até sozinha. Tenho que voltar a ser a mulher independente que sempre fui. Não posso continuar a matar a cabeça por algo que não tem volta. Não posso mesmo.
Mas eu sou assim. Teimosa, obstinada. Quanto mais devo ir para a esquerda, mais vontade sinto de ir para a direita...
A minha cabeça estala de dor. Obrigo-me a seguir um caminho já traçado, um caminho que não me leva a lado nenhum mas que, pelo menos por agora, não vejo outro...
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faz-me lembrar um poema que meti no blog:
ResponderEliminar" "Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
José Régio